segunda-feira, 30 de junho de 2014

Para o ano haverá mais...

... jacarandás a azular a cidade de Lisboa.

Jacarandás de Lisboa (rua Almirante Barroso, Maio.2014)

Aos Jacarandás de Lisboa
São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.

Eugénio de Andrade
in Os Sulcos da Sede, 2001

Bobby McFerrin >> Ave Maria (Charles Gounod)



terça-feira, 24 de junho de 2014

Encerramento de escolas a bem dos alunos…

Expresso, 24.Junho.2014


Uma boa notícia

Diário de Notícias, 24.Junho.2014

A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, não conseguiu juntar um número suficiente de partidos eurocéticos para formar um grupo no Parlamento Europeu, reconheceu o seu aliado holandês Geert Wilders. Estes políticos tinham feito um acordo antes das eleições, com o objetivo de "destruir a partir do interior" a U. Europeia.


Reduzir ou erradicar a pobreza?

José Vítor Malheiros, PÚBLICO, 24.Junho.2014

[…] Não levar o combate à pobreza até ao fim significa que aceitamos que milhares de pessoas, milhares de crianças, não sejam o que podem ser, e isso é intolerável porque é aceitar que os direitos só existem para quem tem dinheiro. É dizer que o apartheid é aceitável.
Vem isto a propósito da disputa da liderança do PS onde ambos os contendores se reclamam da social-democracia (como aliás o próprio Passos Coelho y sus muchachos), demonstrando que o rótulo, de tão usado por tanta gente de tão má reputação, não significa hoje absolutamente nada. Mas os próprios objectivos "concretos" definidos pelos políticos em geral e, no caso vertente, pelos rivais do PS, significam muito pouco se não conhecermos o seu grau de urgência. Ser social-democrata deveria ser regular os mercados, instituir um sistema de economia mista, com forte intervenção do Estado e com um papel central da contratação colectiva. Costa vai fazer isso? Já? Ser social-democrata é pôr em prática políticas de erradicação da pobreza e de redistribuição da riqueza. Costa vai fazer isso? Já?
O combate político transformou-se num esgrimir de slogans vazios ("mudança") e num enunciar prudente de objectivos vagos, para captar o máximo de apoiantes ao centro. Mas o país precisa de definir objectivos ambiciosos de justiça social e de os pôr em prática JÁ. Independentemente de eventuais alianças com o PS (uma discussão armadilhada por enquanto) a esquerda à esquerda do PS tem de conseguir consolidar o seu discurso e concretizar uma estratégia de governo alternativa à austeridade que, pelo menos, obrigue o PS a sair do armário e a dizer o que quer. Já sabemos que o PS não gosta da pobreza, mas quer reduzi-la ou erradicá-la? E quer fazer isso hoje ou daqui a cem anos?

Ilusões...



Djavan >> Ao Vivo - Volume 1



domingo, 22 de junho de 2014

É isto, mas não só

São José de Almeida, Público, 22.Junho.2014

Estarão muito certos os argumentos das várias pessoas referidas neste artigo, mas para o cidadão comum há outros considerandos a ter em conta. 
Em primeiro lugar, Seguro incorreu no pecado capital de não ir à luta em campo aberto quando foi desafiado por Costa, o que lhe seria favorável. 
Em segundo lugar, como dizia ontem Vasco Pulido Valente, há a convicção de que "Costa fala com uma autoridade "natural", não longe da autoridade de um primeiro-ministro ou de um velho chefe de partido. Seguro, mesmo quando tenta ser severo ou ameaçador, dá a ideia de quem debita um texto ensaiado, em que não acredita muito". E isto faz toda a diferença.

Classic Jazz: Jazz Legends Disc 1



sábado, 21 de junho de 2014

"Só com os criminosos pobres é que não se pode comer à mesa."

José Pacheco Pereira, Público, 21.Junho.2014

As informações sobre o que se está a passar no BES, como o que nos últimos anos se veio a saber do BCP, e, andando um pouco mais para trás, toda a história ainda em curso do BPP e do BPN, mostram alguma coisa de consistente no comportamento de uma parte importante da elite político-financeira portuguesa.
Não estou a dizer que tudo tenha sido igual, mas muita coisa não sendo igual, nem em dimensão nem em consequências, é demasiado parecida para que não se anotem as semelhanças. Há excepções, com tanto mais mérito quanto escapam à regra, mas são excepções.
O que tudo isto tem em comum é em primeiro lugar a completa promiscuidade com o poder político. Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota. O dinheiro fluiu nos contratos swap, usados e abusados pela governação socialista, e as PPPs contaram com considerável entusiasmo da banca nacional e internacional. Compreende-se porquê, quando mais tarde se veio a saber detalhes dos contratos leoninos que deixavam milhões e milhões para pagamento num futuro que já era muito próximo. [...]
Outra das coisas que se vão sabendo é como a gestão dos bancos se fazia como se o dinheiro que lá estava fosse pertença dos seus donos, gestores, administradores e dos seus amigos, ao  mesmo tempo que uma ríspida prepotência e intransigência é a norma de tratamento dos clientes e depositantes, a quem não se desculpa nada. Os milhares de casas, carros, empresas, bens que foram consumidos nesta voragem da “dívida”, que tornou famílias e pessoas solventes naquilo que nunca imaginaram que iam ser, insolventes, oferece um contraste flagrante com a prática reiterada de evasão e fuga fiscal dos mais ricos com dimensões muito significativas.
E é crime sem castigo, ou com leve castigo, porque não se percebe como banqueiros envolvidos em evasão fiscal e manipulação de contas (para usar o politicamente correto, porque se não fosse assim seriam falsificações de contas, contabilidades paralelas, “esquecimentos” de declarar ao fisco milhões de euros, uso quotidiano de off-shores para esconder operações financeiras, etc., etc.) não são imediatamente impedidos de exercerem actividades na banca, acto que depende dos reguladores, mesmo antes da justiça se pronunciar sobre os eventuais crimes cometidos, se é que vai alguma vez pronunciar-se. [...]

Vivaldi >> Complete Cello Concertos



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Bonito e comovente…

Excerto de um email dirigido hoje ao pai de um aluno da Escola Europeia de Bruxelas:

[…] como creio que é o pai do "meu" Hugo Chaves, não quero perder a ocasião de lhe dar GRANDES PARABÉNS pelo extraordinário aluno e extraordinária pessoa que tem como filho: alunos desses fazem a diferença na vida de um professor! O Hugo é um excelente aluno, dotado de enorme cultura geral e de uma simpatia e educação extremas. 

Acontece que o Hugo Chaves (12 anos) é meu neto… 
Mais palavras para quê?

Seguro, Almeida e Benzema...

João Miguel Tavares, Público, 19.Junho.2014

[…] Que António José Seguro e os seus fiéis têm manifestas dificuldades em compreender o mundo que os rodeia, já todos tínhamos percebido há algum tempo. Ainda assim, não deve haver estratégia mais tonta para atacar António Costa do que acusá-lo de só estar na corrida pela liderança do PS por uma “questão pessoal”. Claro que é só por uma questão pessoal. É por a pessoa Costa ser muito melhor política do que a pessoa Seguro. E é precisamente por ser uma “questão pessoal” que 98% da população portuguesa (reservo 2% para familiares de Seguro, Brilhante Dias, Zorrinho e Beleza) prefere o primeiro ao segundo. Não havendo diferenças políticas significativas, escolhe-se quem tem melhores qualidades pessoais.
Ora, neste contexto, ver Seguro e sus muchachos utilizarem como principal arma contra Costa a ausência de um projecto político diferenciado é o mesmo que entregar ao adversário a espada com que ele alegremente nos irá cortar a cabeça. Vamos cá ver. O Hugo Almeida e o Karim Benzema também têm o mesmo projecto político: ambos são pontas-de-lança, ambos jogam a nove e ambos têm a obrigação de marcar golos. Isso significa que é indiferente qual deles joga? António José Seguro, que percebe tanto de política como de futebol, pelos vistos acha que sim. E acha que, sendo ele o Hugo Almeida do Largo do Rato, este extraordinário argumento o beneficia. […]

Miguel Mota sabe do que fala...

Miguel Mota, Público, 19.Junho.2014

Portugal vem há algumas décadas a cumprir uma lei que não está escrita mas que está a ser eficientemente cumprida. Essa lei, criminosa num aspecto e vergonhosa por outro, manda destruir toda a investigação científica pública que não seja das universidades. É criminosa porque já fez o país perder um valor astronómico, tanto do ponto de vista científico como económico.
[...]
Por outro lado, a “lei” é vergonhosa porque revela da parte das universidades (não encontro mais nenhuma razão) uma inveja e indicação de mediocridade de quem teme a comparação com as instituições de investigação científica.
A destruição é um facto e, das instituições que conheço, cito apenas três, que são hoje um resíduo do que foram: a Estação Agronómica Nacional, em Oeiras, a Estação de Melhoramento de Plantas, em Elvas, e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa. Enquanto puderam funcionar, todas deram à economia nacional várias vezes o dinheiro nelas investido.
A citada lei tem uma alternativa à destruição: quando possível, rouba-se ao Ministério em que se encontra a instituição e dá-se a uma universidade. Do que sei, isso já sucedeu pelo menos com duas instituições*. [...]

* Uma delas foi o "Laboratório Nuclear de Sacavém" que foi "dado" ao Instituto Superior Técnico. Ver AQUI

Fim de um ciclo em Espanha e...

... continuação da política de confronto em Portugal.


Chico Buarque faz hoje 70 anos. Parabéns!



quinta-feira, 12 de junho de 2014

O futebol é que desenvolve...



A Ciência em Portugal

Miguel Mota, Público, 12.Junho.2014


O PÚBLICO de 22/5/2014 publicou uma entrevista com o professor Walter Alvarez, da Universidade de Berkeley, nos Estado Unidos, a propósito de uma conferência que iria proferir no Porto. Em estudo que realizou, em colaboração com o prof. Henrique Leitão, da Universidade de Lisboa, mostra que foram os portugueses os pais da ciência moderna, antes dos conhecidos Nicolau Copérnico e Galileu Galilei.
[...]
Uma das características dos portugueses é não serem capazes de reconhecer os feitos dos seus concidadãos. Isso é particularmente grave nos casos de descobertas de importância internacional, pois afectam negativamente a imagem do nosso país no contexto das nações. [...]


* * *

A propósito do artigo do Prof. Miguel Mota, importa referir um livro recente do Prof. Carlos Fiolhais (Univ.Coimbra) intitulado "História da Ciência em Portugal".

Neste ensaio passa-se em revista o estado da ciência em Portugal, nas suas múltiplas facetas: história, organização, produtividade, ligação à economia, ensino e divulgação das ciências. Usando vários gráficos e tabelas, mostra-se o grande progresso alcançado nas últimas décadas, sem esquecer de apontar o muito que falta fazer para que, na área decisiva da ciência e da tecnologia, Portugal seja um país mais competitivo à escala internacional.

Carlos Paredes >> Mudar de vida



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fica explicado o prejuízo...



No problem... ela decide!

Público, 09.Junho.2014


Encerramento do Projecto Comenius

Quatro docentes do Agrupamento de Escolas D. Lourenço Vicente, Lourinhã, participaram há dias numa deslocação a Oberkirch, Alemanha, para o encerramento oficial do Projecto COMENIUS “O Mundo Fascinante dos Contos de Fadas na Europa” desenvolvido ao longo do último biénio. Aí se encontraram com os restantes parceiros de Alemanha, Croácia, França, Grécia, Suécia, Roménia e Turquia. 
Helena Martinho, educadora do Jardim de Infância do Vimeiro, participou no Projecto e na viagem a Oberkirch. Ver aqui e aqui.

Chico Buarque & Milton Nascimento >> O que será?



domingo, 8 de junho de 2014

A melhor defesa (ainda) é o ataque...


 PÚBLICO, 08.Junho.2014

Assis diz que Seguro "merece"...

Editorial, Público, 08.Junho.2014

O Óscar merece-se
[...] As primárias [no PS] oferecem problemas óbvios. Desde logo, o facto de não haver tradição em Portugal. À excepção do Livre, um microcosmos, nunca houve primárias no país. Os portugueses não sabem como funciona, não há uma rotina, não há precedentes. Não é por isso que não se devem fazer primárias. Mas usar um mecanismo estranho num momento de crise é como termos a casa a arder e, em vez de agarrarmos no extintor, convocarmos uma reunião de condomínio para discutir como apagar o fogo.
Além disso, as primárias impõem uma logística pesada e muitas decisões. A começar pelos cadernos eleitorais, que não existem. Não vão votar apenas os militantes, mas também os que se inscrevam como simpatizantes e eleitores socialistas. A seguir, há a campanha interna formal e, no dia do voto, urnas em pelo menos 712 mesas de voto. Tanto as listas como os resultados podem levantar dúvidas e ser impugnados. Em Outubro podemos ainda não ter uma solução estável no PS. Conclusão: nos próximos meses, o trabalho dos socialistas vai ser um só: fazer ganhar o seu homem.
Seguro diz que fez “o caminho das pedras” quando não era apetecível ser-se líder da oposição e Assis diz que ele “merece” ser primeiro-ministro depois de três anos a combater o Governo.
Mas ser-se primeiro-ministro não é uma herança deixada em testamento. Ser primeiro-ministro não é um prémio de esforço, nem um prémio de consolação. Não é um cargo que se “merece” ou não ter. Não é uma consideração. Pensar assim é inverter a lógica da própria política. É admitir que a política é um puro jogo de conquista do poder.

Nina Simone >> Live At Montreux



sábado, 7 de junho de 2014

Só não vê... quem não quer ver

José Pacheco Pereira, Público, 07.Junho.2014

[…] O modo como [António José Seguro] reagiu ao desafio de António Costa foi uma antologia do pior do aparelhismo. Começou por se negar a ir ao confronto, com argumentos burocráticos. Depois fez uma reviravolta e respondeu, “ai queres 8, vou-te dar 8000”, fazendo uma proposta confusa e impreparada de eleições directas cujo único objectivo, percebe-se muito bem, era protelar as eleições, esperando que o Governo caia, ou que Costa não consiga, preso à Câmara de Lisboa, competir com ele no circuito da “carne assada”. Inventou um novo cargo, o de “candidato a primeiro-ministro”, admitindo, numa fase inicial, manter-se como secretário-geral. Depois recuou de novo, percebendo que isso levaria a um tão grande downgrade da função, que nunca poderia condicionar coisas tão importantes para o aparelho como as listas de deputados. Depois, mostrando como isto é tudo feito em cima do joelho, para ganhar o favor dos eleitores das directas avançou com um conjunto de propostas demagógicas e populistas, abrindo caminho para maiores estragos no sistema político.

Nestes dias, ele mostrou a sua aptidão maior: defender-se a si e aos seus, mesmo que isso signifique incapacitar o PS para uns bons quatro meses, no meio de um agravar da situação política nacional. Ele diz que falará pelo PS como seu secretário-geral legítimo, mas para cada questão todos vão ouvir António Costa. Só que quem perde com todo este protelamento é o PS, é a oposição em geral, e quem ganha é o Governo. E já se percebeu que pretendem aproveitar essa margem de oportunidade, como se vê no confronto com o Tribunal Constitucional, que não teria este agravamento de tensão se o PS não estivesse bloqueado. O PSD e o CDS têm durante três meses cruciais, e muito difíceis para o Governo, um não-partido à sua frente. Seguro quer lá saber, ele quer é sobreviver, mesmo à frente de um partido castrado.

Ele falou!



Marisa Monte & Cesária Évora >> É Doce Morrer no Mar


sexta-feira, 6 de junho de 2014

quinta-feira, 5 de junho de 2014

É preciso fazer um desenho?



Aclarações, clarificações, explicações... E que mais?

Editorial, Público, 05.Junho.2014

A Constituição é conhecida, ou devia ser. As regras de funcionamento do Tribunal Constitucional (TC) são conhecidas, ou deviam ser. Os juízes do TC são conhecidos, embora menos, mas todos sabem que uns são indicados pelo PS (5), PSD (4) e CDS (1) e os restantes (3) são cooptados pelos seus pares. As votações dos juízes, nos chumbos recentes e nos anteriores, são também públicas e é curioso verificar que não coincidem, de todo, com aquilo que seria o entendimento prévio das respectivas votações. Mesmo assim, sem que ache necessário mexer na Constituição ou propor a extinção do TC, o Governo continua a não saber distinguir um “sim” de um “não”. Quer “aclarações”, explicações adicionais. Pede até uma “clarificação política” [...]  

Fausto >> Cantiga do desemprego



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fazer o mal e a caramunha



Bomtempo & Beethoven (Festival Setúbal 2013)



O maestro Pedro Carneiro dirigiu um espectáculo da Orquestra de Câmara Portuguesa no Festival de Música Setúbal 2013. No concerto, com a duração de cerca de duas horas, intitulado "Bomtempo & Beethoven", a orquestra interpretou a "Sinfonia n.º 2" do autor português João Domingos Bomtempo e a "Sinfonia n.º 3 - Eroica" do compositor alemão Ludwig van Beethoven.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Se...


SE António José Seguro falasse a sério quando acusa António Costa de fragilizar o Partido Socialista por aparecer agora a disputar a sua liderança, semeando a confusão nas hostes e dando para o exterior uma ideia de divisão do partido quando ele deveria exibir uma coesão de aço, o secretário-geral do PS tentaria pôr fim à “confusão” o mais depressa possível e clarificaria a questão da liderança sem hesitação, aceitando o repto de Costa para o duelo na rua principal.
Ou seja, convocaria um congresso antes que Costa tivesse tempo de dizer “quadratura do círculo”. Isto era o que faria Seguro se considerasse seriamente que esta disputa pela liderança prejudica a capacidade política e a imagem do PS.[...] 

Falemos de futebol...





D. Lewis Luong >> Big Band Jazz Music Collection



segunda-feira, 2 de junho de 2014

Visão global de um problema chamado PS

António Correia de Campos, Público, 02.Junho.2014

[…] No Sábado, a surpresa: Seguro recusa discutir a convocação de congresso; tira da cartola a bicefalia, com eleições primárias para um cargo de futuro incerto, garantidamente gerador de instabilidade, o de candidato a primeiro-ministro. Sem regulamento que o suporte, nem calendário que o materialize. Lá fora as pessoas perguntarão: para quê dois, em vez de um só, designado por sufrágio universal de militantes? Dois galos no mesmo poleiro cantarão afinados? Por que razão Seguro propõe agora o que recusou há dois anos? Quem define, aceita, inscreve os simpatizantes eleitores? Como se previne a chapelada das inscrições a granel? Faltando 14 meses para legislativas, queimar meio ano num processo inovador mas desconhecido, deixando o governo a apascentar cabras em terreno de cultivo, não será o passaporte para uma derrota? Responder a uma sociedade civil, que só deseja Passos e companhia pela borda fora, com procedimentos inexperimentados, complexos, duvidosos e demorados, não será aumentar o desânimo?

A procissão ainda só vai no adro...